Voz da Arquibancada – O Palmeiras voltou a ser Palmeiras

22 jun

Todos presenciaram ou assistiram o intenso Palmeiras x Grêmio de ontem. Classificação e resultados a parte, esses dois jogos foram uma redenção para o espírito palmeirense. São 10:28 da manhã e nenhum jornalista esportivo escreveu sobre isso. Então eu resolvi tentar colocar em palavras o sentimento que tomou conta dos palmeirenses ontem.

O gigante não está mais adormecido, o Palmeiras voltou a ser Palmeiras.

Eu sou palmeirense há 22 anos. Eu sou palmeirense desde que nasci. Não vivi os anos da academia de futebol, era muito novo durante a maior parte da era Parmalat. Lembro-me muito bem apenas da alegria da Libertadores de 99. E da tristeza do mundial, onde, pela primeira vez, chorei pelo Palmeiras.

Nos anos seguintes, chorei mais. Chorei pela má administração, pela safadeza, pelo amadorismo que tomou conta do clube. Vi o time ser rebaixado. Vi o time se afundar em dívidas, em derrotas vergonhosas, vi o Palmeiras perder o Brasileiro ganho de 2009, ser taxado de time pequeno, de Portuguesa, de Guarani.

Como se o Palmeiras fosse pequeno. Como se essa camisa não representasse nada.

Dizem que a sorte compensa os bons, talvez isso justifique a maré de azar do time recentemente. A maneira desleixada pela qual o clube foi administrado influenciou dentro de campo. Brigas, jogador apanhando, intrigas no elenco, vexames… tudo isso aconteceu. Aconteceu também de jogos ganhos se perderem, da bola palmeirense bater na trave e sair enquanto o chute adversário entrava.

Mas, de uns meses para cá, alguma coisa aconteceu: o time mudou. Cesar Sampaio chegou e o vestiário acalmou. Barcos chegou e colocou o peito para receber qualquer bola ou flechada lá na frente. Valdívia foi sequestrado e o time se uniu. Pouco antes do primeiro jogo contra o Grêmio, disse a um amigo que o sequestro mudaria a equipe – “André, os tempos de vacas magras acabaram”– e mudou.

Veio o primeiro jogo e o Palmeiras ganhou. Veio o segundo jogo, a chuva caiu, a torcida lotou o estádio e algo novo aconteceu: nossa bola bateu na trave e entrou. Bateu na trave e entrou em um chute de Valdivia, o mesmo cujo sequestro unira a equipe. Aquela bola, aquele chute, aquela comemoração, aquele gol. O Palmeiras estava de volta. Eu senti, meu pai sentiu. Todo palmeirense sentiu.

Saíram o grito e o orgulho que há tanto tempo estavam entalados no peito. A confiança está de volta ao Palestra. O Palmeiras redescobriu-se Palmeiras, a camisa alvi-verde voltou a brilhar. Não, não ganhamos nada, ainda não somos campeões. Podemos até perder essa título na final, mas voltamos a ser Palmeiras. Voltamos a ser Palmeiras. O Palmeiras que luta, briga, joga bola, da defesa que ninguém passa, da linha atacante de raça e da torcida que canta e vibra.

E, quando o Palmeiras é Palmeiras, não é fácil para ninguém. Avanti alvi-verde imponente.

No último Voz da Arquibancada – Eu sou gremista. As razões para ir ao jogo na quinta-feira.

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